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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Palavras & Silêncios

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.

(Fernando Pessoa)

domingo, 10 de outubro de 2010

A Poesia Como A Minha Vida É...

"Faz escuro mas eu canto
porque a manhã vai chegar..."
(trecho do poema "Madrugada Camponesa", de Thiago de Mello)

Não me perguntem o porquê da escuridão; ela não tem importância quando se sabe o motivo para cantar. Canto porque - se claro ou escuro - tenho em Quem confiar!
"Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5b)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Blogagem Coletiva - Hoje É Dia De Cecília

O desenho acima é um auto-retrato de uma das mais amadas poetisas brasileiras.

Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de Matilde Benevides Meireles, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Muito cedo, conviveu de perto com a morte: o pai faleceu três meses antes do seu nascimento e a mãe, quando a menina Cecília ainda não tinha três anos. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. Um dia, Cecília escreveu que tais acontecimentos lhe trouxeram "uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno".

Conhecida como a "poetisa da alma", Cecília Meireles faleceu em 9 de novembro de 1964.

A seguir, um dos inúmeros poemas dela que amo:


4º Motivo da Rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:

também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,

mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Azul em Clarice

Visto da terra, o céu é azul.
Vista do céu, a terra é azul.
Será o azul uma cor em si
Ou uma questão de distância?
Ou uma questão de nostalgia?
O inatingível é sempre azul.

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Amor É Síntese

Por favor, não me analise.
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumenta, exigente, insegura, carente
Toda cheia de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese

É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva toda em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

(Myrthes Mathias)

*Uma das minhas poetisas preferidas. Às vezes - muitas vezes - pergunto-me se as coisas que eu leio dela não estavam em algum cantinho da minha mente...