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sexta-feira, 27 de março de 2009

Todo Dia É Dia De Faxina

“Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139:23-24)

Este mês, vou compartilhar – como já o fiz outras vezes – mais um dos muitos textos que, não casualmente, caem nas minhas mãos e me fazem refletir sobre a vida e a maneira como a estou vivendo.
Li já há algum tempo e reli recentemente uma reflexão anônima sobre a necessidade que o autor sentia de fazer uma faxina nele; jogar pensamentos indesejados fora e lavar alguns tesouros meio enferrujados.
Dizia o escritor que tirara do fundo das gavetas lembranças que não o edificava e que não queria mais. Jogara fora alguns sonhos, algumas ilusões e papéis de presente que nunca havia utilizado. Fizera o mesmo com a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não lera.
De repente, ficou sem paciência! Tirou tudo de dentro do armário e foi jogando no chão: paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de alguém, lembranças de um dia triste. Mas no meio de tanta inutilidade, havia também coisas belas: um passarinho que cantara na sua janela, aquela lua cor de prata, o pôr do sol... Foi se encantando e se distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças. Então, sentou-se no chão para poder fazer suas escolhas.
Num relance, olhou para seus sorrisos futuros e suas alegrias pretendidas e as colocou num cantinho, bem arrumadas.
Jogou direto no saco de lixo os restos de um episódio que o magoou e as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima foram descartadas no mesmo instante!
Outras coisas que ainda o magoavam, colocou num canto para depois ver o que faria com elas, se as esquecia lá mesmo ou se mandava para o lixão.
Abriu aquela gaveta onde se guarda tudo o que é mais importante: a fé, o amor, a alegria, os melhores e mais abertos sorrisos e ficou um tempo contemplando-os. Como foi bom relembrar tudo aquilo!
Recolheu com carinho o amor encontrado, dobrou direitinho os desejos, colocou perfume na esperança, passou um pano na prateleira das suas metas esquecidas e deixou-as à mostra, para não perdê-las de vista novamente.Colocou nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da juventude e, pendurado bem à frente, colocou a capacidade de amar e de recomeçar...
Por imposição do espaço, não transcrevi o texto; apenas extraí suas partes principais, mas creio que foi o bastante para que você tenha feito uma auto-análise.
Para muitos, sexta-feira é dia de faxina em casa. Dia de tirar o pó acumulado durante a semana para que o fim-de-semana esteja tudo limpo. Afinal, sábado e domingo são dias de visitas aparecerem...
Parece que algumas pessoas levam sua própria vida assim também... Promovendo dias para retirar a poeira dos pecados acumulados ou, muitas vezes, empurrá-los para debaixo do tapete ou para um quarto escuro e fechado, onde só elas têm acesso (como o autor do texto fez com algumas coisas que ainda o magoavam). Pode ser que agindo assim, os outros (as "visitas") não percebam a poeira que está há tanto tempo acumulada...
Mas não há tapete ou quarto trancado que passe despercebido aos atentos e onipresentes olhos de Deus. E é Ele quem mais sente os efeitos danosos que essa sujeira causa na nossa vida, pois além de Ele nos amar de verdade e ter nos criado para sermos limpos e para desfrutarmos as bênçãos que Ele preparou especialmente para cada um, Ele habita em nós, quando aceitamos a Cristo como Salvador. E, definitivamente, não creio que Deus se agrade de conviver com entulhos dentro de nós.
Precisamos "de vez em sempre" fazer uma faxina no nosso coração e na nossa mente; tirar aquilo que só está juntando poeira e entupindo os canais de bênçãos e as artérias da esperança que apenas Jesus pode dar.
Não precisa desanimar. Se você refletiu sobre o que leu e percebeu que há muita coisa a ser removida, o primeiro passo é reconhecer a necessidade de se ver livre da sujeira e pedir auxílio ao Único que pode removê-la: Jesus.
E lembre-se de que não há traça que não possa ser removida, nem pecado que não possa ser extirpado quando a presença purificadora e regeneradora de Jesus toma conta da vida de alguém. Basta estar disposto a fazer essa faxina diariamente, pois é diariamente que Deus quer nos encher com bênçãos renovadas que precisam de corações limpos para serem depositadas.

(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de março/2009)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Esperança E Graça Em Meio À Crise

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lamentações 3:21)

O versículo citado acima é um dos meus preferidos. E é interessante analisar que o profeta Jeremias fala de uma ação pessoal: "Quero trazer à memória...". É algo que demanda uma decisão própria. Quem preenche a mente com esperança é Deus, mas a escolha é nossa.
O ano de 2009 começou sob prenúncios de um aprofundamento da crise generalizada que grassa no mundo, produzindo desgraças em todos os níveis e, muitas vezes, infelizmente, retirando os olhos dos que professam crer em Deus da graça incomparável e imutável do amor divino.
Realmente vivemos tempos difíceis, mas que não podem nos fazer esquecer da onipotência do Senhor em quaisquer circunstâncias, pois os que nEle esperam não se deixam abater; antes, renovam suas forças, conforme está escrito no capítulo 40 do livro do profeta Isaías.
No sermão do monte, de grandes e preciosos ensinamentos, Jesus afirmou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt. 6:33).
Quando a nossa mente se ocupa primeiramente com as circunstâncias adversas da vida, a esperança se esvai e não conseguimos enxergar a graça de Deus que é derramada sobre nós, ainda que a crise exista e que pelo vale da morte passemos.
Esperança é uma das demais coisas que são acrescentadas à nossa vida, quando priorizamos o nosso olhar em Deus, quando o foco dos nossos objetivos está ajustado aos propósitos do Senhor para nós.
Muitas vezes, perdemos a esperança porque a nossa mente está entulhada com detalhes sem importância que ofuscam o brilho do que é essencial; com futilidades e temores que só preenchem espaço, mas não preenchem necessidades da alma; com sentimentos que proporcionam prazer ou preocupação temporários, mas que não produzem certezas eternas.
Crise e paz nem sempre são sinônimos de ausência e presença de Deus, respectivamente. Dependendo da nossa atitude, um período de crise pode ser extremamente enriquecedor, quando vivido com uma fé inabalável no Senhor dos tempos e das estações. Deus não nos criou para uma vida sem problemas, mas Ele prometeu que cuidaria de nós. E nas promessas dEle podemos crer sem duvidar, pois “Deus não é homem para mentir e nem filho de homem para se arrepender” (Nm. 23:19 a).
A paz de Deus não é bonança maquiada de prosperidade nem ausência de dificuldades, mas é aquela que excede o entendimento humano, ou seja, vivenciada quando a lógica humana do prazer imediatista não consegue entender.
Ao iniciarmos mais um ano, não sei como está o seu nível de esperança, mas seja qual for seu estado, faça uma análise do que tem preenchido seus pensamentos ultimamente. Nossa mente é como o disco rígido de um computador: precisa estar em constante verificação e limpeza. Caso contrário, ela se torna lenta e incapaz de "rodar" programas mais pesados e importantes, como compromisso verdadeiro com Deus e amor real e concreto – e não apenas politicamente correto – ao próximo. É preciso deletar "arquivos temporários" para que o que é permanente possa ter seu desempenho otimizado.
Mesmo que o dia esteja triste e as manchetes dos jornais desanimadoras, sempre poderemos nos alegrar com algo que não muda nunca: a fidelidade e a graça de Deus para com os Seus filhos. O pensamento nessa certeza sempre nos trará a verdadeira esperança que transforma pranto em riso e desânimo em forças renovadas! Pois “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Co. 15:19).
Um abraço e um ano cheio da esperança e da graça do Senhor!

(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de janeiro/2009)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pão Com Geléia

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra." (II Coríntios 9:7-8)

“A professora perguntou aos alunos qual o significado da palavra ternura. Um garoto levantou-se e disse: "Bem, se eu estivesse com fome e alguém me desse um pedaço de pão, isso seria bondade. Mas se passasse geléia no pão, isso seria ternura..."
Assim começava um texto que li há algum tempo sobre a diferença que há entre fazer o necessário e o ir além dele. A geléia, no contexto acima, simboliza o que chamamos de amor incondicional; aquele que Deus tem por nós e que deseja que experimentemos e vivenciemos em nossos relacionamentos de quaisquer níveis.
Realmente... o amor transforma o corriqueiro em algo especial. Quantas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia (e que já nem prestamos atenção que as estamos fazendo) poderiam ter outro aspecto se acrescentássemos amor.
Muitas vezes, achamos que cumprir com a nossa obrigação é o bastante, mas se passamos uma "geléia", o comum torna-se algo mais agradável, menos árido e menos impessoal.
Como um olhar afetuoso ou alguns gestos de carinho sincero tornam o "bom-dia-aguado" em incentivo e chave para que o dia seja maravilhoso... Como um ambiente cuidadosa mas monotonamente limpo ilumina-se com a presença de flores (mesmo que sejam as do campo e não tulipas exuberantes)... Como um cartão contendo sentimentos que vêm do fundo do coração dá calor e vida a um presente impecavelmente embrulhado, mas impessoalmente oferecido... Como tantas coisas que fazemos poderiam ser transformadas em pequenos raios de sol, se acrescentássemos ternura ao necessário – mas frio e calculado – senso de responsabilidade...
E não é preciso muito tempo, dinheiro ou inteligência incomum para que o comum se transforme em extraordinário. Basta exercitar o amor. Não o nosso: humano, cheio de preconceitos e falhas; mas o de Deus: pelo qual clamamos para que sempre seja derramado sobre nós. E se Deus derrama amor abundante sobre nossas vidas é porque Ele não apenas nos ama, mas quer que esse amor atinja outros através dos nossos atos e palavras.
Não importa se as nossas experiências e oportunidades são diferentes das dos demais à nossa volta. Se não houver amor para compartilhar, o frio que se instaura dentro do coração vai extinguir qualquer tipo de vida, por mais bem alimentada e abonada que a pessoa seja. É bem verdade que talvez a "falta de vida" não se manifeste pela morte física mas, infelizmente, é possível acordar e dormir todos os dias sem viver de verdade.
O adjetivo que Jesus usou para qualificar o tipo de vida que Ele veio oferecer é "abundante" e esse valor passa também pela qualidade que Deus quer dar à vida das pessoas que estão ao nosso redor. Não foi sem propósito que Jesus disse que o 2º maior mandamento (depois de amar a Deus sobre todas as coisas) é amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Enganamo-nos se achamos que estamos nos beneficiando ao negar uma centelha de amor para aquecer quem está ao nosso lado, guardando o calor todo para nós. Além de nos omitirmos, deixamos explícita a falta de amor que temos por nós mesmos e por Deus, dentro do projeto dEle para a vida dos Seus filhos.
Ao escrever este texto, lembrei-me de um e-mail enviado por um amigo querido, observando que a maioria dos textos que recebe ou das mensagens que ouve relacionam-se com o que nós "devemos" ou "não devemos" fazer, mas muito pouco sobre "como" deveríamos fazer. Concordo em parte com ele. Porém, a vida não é uma receita de bolo que possamos seguir à risca para conseguir um resultado esperado.
Continuando com a ilustração do bolo, arrisco-me no terreno "culinário" (que não é o meu forte) para dizer que imagino a conduta de cada um de nós como uma receita que deve ter uma "massa básica" (a fé em Deus, a perseverança nos Seus princípios e valores e a busca de Sua vontade) à qual são adicionados ingredientes variados. Podemos atingir os mesmos resultados através de vivências e situações diversas.
Somos seres pensantes, criativos e, por isso mesmo, com diferentes experiências. Cabe a nós identificarmos os ingredientes que estão à nossa mão e os disponibilizarmos nas mãos de Deus, gerando ações práticas e transformadoras de vidas. Um e-mail, um artigo, um sermão, uma conversa podem despertar sentimentos, mas jamais se transformarão em ações objetivas se não houver a iniciativa da pessoa que foi atingida por eles.
Sejamos agentes da vida através do calor do amor desinteressado em recompensas visíveis e compromissado com a construção (invisível, mas real) de uma realidade mais fraterna e menos corrompida e egoísta. Como? Cada um saberá a resposta se a reflexão for além da lágrima que costuma rolar quando algo nos emociona.
Um abraço e um mês abençoado pelo Senhor e cheio de pães com geléia e de atos de amor... transformadores!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de outubro/2008)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Hoje É O Tempo Que Temos Para As Pessoas Que Ainda Temos

“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida?
Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.”
(Tiago 4:14)

Há poucos dias, conversando com uma amiga que é fisioterapeuta, ela contou-me uma história recente de uma paciente que a impressionara. Confesso que, ao terminar de ouvir, a mim também.
A paciente – uma jovem dentista – compartilhara com minha amiga uma semana em que o avô daquela, logo na segunda-feira cedo, começara a lhe telefonar perguntando: “Hoje é sexta-feira?”. No início, ainda de bom humor, a jovem corrigia seu avô, um senhor viúvo que morava sozinho.
Foram inúmeras as ligações, durante a semana, tanto para ela quanto para as outras netas, sempre com a mesma pergunta. Com a insistência dos telefonemas, a moça começou a impacientar-se com o avô, pedindo-lhe que não telefonasse tanto, pois as interrupções causavam transtornos no atendimento aos pacientes de seu consultório.
À medida que a semana transcorria, a ansiedade do avô em saber se era sexta-feira aumentava tanto quanto a rispidez com que a neta lhe respondia.
Chegou, finalmente, a esperada sexta-feira! Mas não houve um telefonema sequer... Já não era mais necessário – nem possível – fazê-lo: aquele senhor que aguardara com tanta expectativa aquele dia amanhecera morto, vítima de um ataque cardíaco.
Por alguns segundos, minha mente vagueou por histórias também recentes envolvendo o tempo: a ociosidade dele, a falta dele, o fim dele... Minha amiga contou-me a comoção que tomara conta de sua paciente ao relembrar como fora ríspida naquelas que seriam as últimas conversas com seu avô tão amado.
Não sei quais foram as reações das outras netas em relação aos telefonemas insistentes do avô e quanto à pergunta recorrente, e também não ouso julgar a atitude da que relatou o fato. Apenas refleti no quanto achamos que temos o controle do tempo, sem notarmos o quanto estamos sujeitos a ele e aos seus “auxiliares”.
Há pessoas que nada fazem sem marcar hora na agenda. Até demonstrações de afeto têm que estar atreladas ao limitado tic-tac do relógio.
É certo que o planejamento é necessário, ainda mais no caos informático que vivemos atualmente. Mas amor não se planeja, vive-se! E vive-se hoje, agora, espontaneamente! O depois ainda não existe e o amanhã pode não chegar.
Fale com carinho hoje. Faça uma visita hoje. Diga “eu te amo” hoje. Mande flores hoje. Abrace apertado hoje. Peça perdão hoje. Perdoe hoje. Invista hoje nos relacionamentos significativos da sua vida.
O tempo passa. É só uma questão de tempo... Não deixemos que ele passe sem que marcas de amor sejam sempre deixadas. E tanto quanto possível, as últimas deixadas.
Um abraço e um tempo de vida abençoado na presença do Único que é sempre presente!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de setembro/2008)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Quem Pintou Os Passarinhos?


Conheço uma moça que sempre tem uma história interessante sobre sua filha, hoje com 7 anos. Essa, eu ouvi recentemente, constatando que realmente só um coração de criança é capaz de aceitar prontamente os mistérios de Deus sem procurar encaixá-los em fórmulas físicas ou tratados filosóficos.
Aos cinco anos, a garotinha, encantada com a profusão de cores que cobriam o corpo dos pássaros que ela via ao brincar, perguntou à mãe: “Mamãe, quem pintou os passarinhos?”. Achando graça na pergunta inocente, mas que com tanta seriedade fora feita, a mãe afirmou com a certeza de quem preserva a essência do coração de criança: “Foi Deus quem pintou cada um deles, querida”. “Puxa, mamãe... como Deus pinta bem, né?”, respondeu a criança, com sua curiosidade plenamente satisfeita.
A resposta da menininha nos faz rir, pela singeleza, mas me fez chorar, no primeiro momento, ao reconhecer a incredulidade que muitas vezes ainda me assola em momentos de dificuldade, apesar de saber que Deus sempre cuida de mim.
A vida é uma escala de aprendizados e essa foi uma das lições que aprendi nos últimos dias. Espero sempre me lembrar dela quando achar que os dias estão cinzas demais.
São muitos os passarinhos. São muitos os dias. Mas Deus é o criador de tudo e Ele é muito criativo. Sua paleta de cores é sem igual, cheia de nuances, sem as quais os quadros da nossa vida não teriam o mesmo valor.
Ah! E é claro... Ele sempre pinta bem demais!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de março/2008)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Felizes Aqueles Que Sabem Chorar


“Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão” (Salmos 126:5)

Alguns devem ter estranhado o título desta coluna logo em janeiro... Falar em lágrimas, quando todos – ou pelo menos a maioria – têm expectativas de alegrias, sucesso e bem estar no reinício de um novo ano?

Ah! Mas como se enganam os que consideram as lágrimas sinônimo de tristeza, de desânimo, de fraqueza!

Creio que por um tempo eu acreditei nisso também. Houve uma época em que eu não gostava de chorar (embora as pessoas já estivessem acostumadas com as minhas lágrimas). Justamente porque a sociedade canaliza – e banaliza – essa preciosidade que Deus nos deu para o lugar-comum das características de quem é fraco, eu não queria me enxergar assim; principalmente fraca na fé.

Sim. Foi Deus quem criou a lágrima como uma forma de esvaziar da alma as dores e valorizou-a de tal forma que a Bíblia está recheada de exemplos de servos fiéis, consagrados e tementes que choraram diante da presença do Senhor e Ele os ouviu e atendeu, aceitando como oferta aprazível o pranto derramado.

Mas não estou falando de um pranto qualquer, desprovido de motivações genuínas. A diferença de um choro inócuo, vazio, apelativo e de autocomiseração para um pranto de desabafo e que produz uma ceifa alegre (conforme o versículo logo abaixo do título) está na presença de quem choramos. Muitos talvez não entenderão suas lágrimas de dor, de arrependimento, de angústia e talvez até zombarão delas, alocando-as nos canais estreitos de uma personalidade fraca e vulnerável. Mas Deus sempre saberá transformar cada gota saída dos seus olhos em diamantes preciosos, recolhendo-os em um odre especial.

Se o ano não começou tão feliz quanto os votos recebidos e muitas vezes repetidos como algo de praxe pelos que nos cercam, não se intimide diante do choro nem o receba como marca de fraqueza ou indiferença de Deus para com a sua vida.

Também não vá atrás de previsões ou provisões de pessoas, cujas próprias vidas não podem prever ou controlar. Apresente seu pranto diante do Senhor, o Único que pode receber e entender a essência das nossas lágrimas e o significado de cada uma delas: as de intercessão por alguém querido, e que por Ele é mais amado do que por nós; as de dúvidas interiores, cujas respostas só Ele possui; as das dores da alma, cujas feridas Ele cicatriza e sara; as da incompreensão dos outros, em cujo lugar Ele derrama o bálsamo da Sua singular presença.

Para mim, hoje, lágrimas são palavras não ditas, não verbalizadas, mas, em seu pleno significado, por Deus valorizadas. Em um desses momentos de íntima comunhão com o Senhor, escrevi um pequeno desabafo que retrata, na minha experiência, o que significam as lágrimas de alguém cuja confiança está totalmente nas mãos dAquele que tudo sabe, tudo ouve e tudo vê; a quem tudo é possível, mesmo que o impossível seja, no momento, suas lágrimas conter:

“Desaprendi a dizer...
O meu momento é verter
lágrimas... são minhas palavras
tão profusas, tão confusas
que não tento entendê-las.
Espero que ao vertê-las,
não precise das palavras...
de dizê-las!"
“Deus recolhe as minhas lágrimas no odre dEle, pois elas já estavam escritas no Seu Livro”
(cf. Sl. 56:8)

Lágrimas vertidas diante do Senhor são prenúncio de consolo e de renovação de vida! Há promessa nesse sentido empenhada pelo próprio Jesus: “Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará” (Mateus 5:4). Experimente derramar as suas lágrimas na presença do Senhor e, com certeza, não apenas durante 2008, mas em todo o seu viver, você experimentará aquela paz que excede o entendimento dos que racionalizam tudo; a paz que independe de catástrofes internas ou externas, pois é vivida não nos intervalos das circunstâncias da vida, mas na constância do dia-a-dia com Deus, o Criador de tudo o que há.
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de janeiro/2008)

domingo, 18 de março de 2007

Impossíveis?

(Canal do Panamá - na construção e depois de concluído)

Pensando nos meus impossíveis diários e esporádicos, lembrei de um comentário que escrevi sobre uma reflexão de R. Foster, publicada no vida.net (da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitba). Começo com um trecho do referido texto:

“Cruzando o Canal do Panamá, mais uma vez tive consciência de que é um dos grandes feitos da engenharia mundial. Um diplomata francês, Ferdinand de Lesseps, deu início à obra, em 1879, mas um planejamento deficiente, desordem e fraude levaram ao fracasso o empreendimento, após dez anos. O 'milagre' de 50 milhas finalmente foi aberto em 1914, sob a supervisão americana e com milhares de trabalhadores de todo o mundo cantando esta canção: 'Tem algum rio que você acha impossível cruzar? / Algumas montanhas onde não se podem escavar túneis? / Nós somos especialistas em coisas que se imaginam impossíveis / E fazemos o que ninguém mais poderia fazer!'
Não somente improvável, mas também totalmente inimaginável são as 'impossibilidades' da história do nascimento de Jesus, como relatada na Bíblia. (...) O humanismo iria diluir esta história, arrazoar a seu respeito, rir e ridicularizá-la, consignando-a à estante do cristianismo fora de moda. Religiosos, filósofos e pessoas no meio profissional surgem com a mesma velha frase: 'Me recuso a acreditar no que não posso ver'. Porém, um anjo disse à Maria: 'Porque para Deus nada é impossível' (Lucas 1.37).
Pense sobre isto: 'Quando Deus quer fazer algo maravilhoso, Ele começa com uma dificuldade; quando Ele vai fazer algo muito maravilhoso, Ele começa com uma impossibilidade' (Charles Inwood).”

Em 2001, estive no Panamá, cobrindo um evento da OnG Samaritan’s Purse, e pude ver de perto um trecho do famoso Canal, mais especificamente a Esclusa de Miraflores. Assistindo ao filme demonstrativo da construção e atividade da impressionante obra, entendi que é realmente espantoso o trabalho de determinação com que ele foi feito.
Há impossíveis humanamente possíveis com trabalho, garra e planejamento. Mas há os impossíveis humanamente impossíveis independente da determinação que se tenha. Esses só são possíveis quando o céu determina a possibilidade... Mas é preciso acreditar no milagre e crer que Deus tudo pode. Enxergar o milagre, requer mais do que olhos humanos; é necessário olhar com fé. Foi isso que faltou a muitos que conviveram com Jesus, mas não enxergaram o maior milagre de todos os tempos.

Quer ver milagres? Não viva sob uma ótica que enxerga barreiras e dificuldades; procure andar na dimensão que Deus quer que cada um de nós vivamos. Ele deseja nos surpreender a cada dia! Situações aparentemente impossíveis podem ser resolvidas com a facilidade de "um milagre". Aliás, milagre só é milagre para nós, não para Deus; Ele é especialista nessa matéria! E não há áreas específicas para Deus agir. Há, sim, pessoas disponíveis e que querem ser surpreendidas por Ele. Você quer?

Um abraço e um mês abençoado
(e surpreendente) na presença do Senhor!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de março/2007)

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Tempo x Prioridades


Não. O problema nunca é (falta de) tempo. O problema é (falta de) prioridade...

Prioridades...
Se não as tens - de verdade -,
perdes tempo e o tempo consome tua realidade!
E o que falar do tempo?
Palavra quase abstrata que a todos destrata
se a desordem retrata.
Não percas o tempo do pouco que tens
com coisas pequenas que te deixam aquém
daquilo que és e do que podes ser;
daquilo que Deus quer fazer-te viver.
Não vale a pena gastar tua pena - escrita ou sentida –
com areia apenas na praia da vida.
A onda do mar um dia desmancha
e sequer deixa a mancha para se copiar...
Nas manhãs dos teus dias,
busca sempre a harmonia
no contato primeiro com o único Deus;
e, depois, com os teus, busca tempo ficar.
Senta um pouco e conversa: isso, sim, é amar.
E do tempo passado com o essencial,
nascerá tempo certo para o resto, afinal.
Nada perdes se o dia tiver o roteiro
que a ti pertencia desde teu dia primeiro.
Teu viver não é fruto de um acaso humano;
tens a rota traçada pelo Deus soberano.
E é dEle - não teu - o perfeito e melhor plano.
Mas se um dia errares, no compasso da lida,
os passos corretos de andar pela vida,
pára um pouco... respira e ajusta a lente.
Busca o céu com palavras ou com os olhos somente.
Com certeza, de lá te virá o alento
e as respostas para as dúvidas de cada momento.
E ainda que outras coisas insistam
em tirar de Deus tua atenção,
em fazer-te andar sempre na contra-mão,
se quiseres, tu podes - enquanto viver –
dar a volta na estrada e mudar o teu ser.
Mexe nas prioridades
e organiza teu tempo de outra maneira.
Ao fazê-lo, é provável, que alguns sonhos se percam...
Mas se é pra viveres a essência verdadeira,
vai em frente - não voltes -, deixa baixar a poeira.
Deus vai dar-te outros sonhos - os que valem a pena.
O que passou? Esquece... O que passou era areia.
(Nane - 08/06/2006)
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de julho/2006)