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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Esperança E Graça Em Meio À Crise

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lamentações 3:21)

O versículo citado acima é um dos meus preferidos. E é interessante analisar que o profeta Jeremias fala de uma ação pessoal: "Quero trazer à memória...". É algo que demanda uma decisão própria. Quem preenche a mente com esperança é Deus, mas a escolha é nossa.
O ano de 2009 começou sob prenúncios de um aprofundamento da crise generalizada que grassa no mundo, produzindo desgraças em todos os níveis e, muitas vezes, infelizmente, retirando os olhos dos que professam crer em Deus da graça incomparável e imutável do amor divino.
Realmente vivemos tempos difíceis, mas que não podem nos fazer esquecer da onipotência do Senhor em quaisquer circunstâncias, pois os que nEle esperam não se deixam abater; antes, renovam suas forças, conforme está escrito no capítulo 40 do livro do profeta Isaías.
No sermão do monte, de grandes e preciosos ensinamentos, Jesus afirmou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt. 6:33).
Quando a nossa mente se ocupa primeiramente com as circunstâncias adversas da vida, a esperança se esvai e não conseguimos enxergar a graça de Deus que é derramada sobre nós, ainda que a crise exista e que pelo vale da morte passemos.
Esperança é uma das demais coisas que são acrescentadas à nossa vida, quando priorizamos o nosso olhar em Deus, quando o foco dos nossos objetivos está ajustado aos propósitos do Senhor para nós.
Muitas vezes, perdemos a esperança porque a nossa mente está entulhada com detalhes sem importância que ofuscam o brilho do que é essencial; com futilidades e temores que só preenchem espaço, mas não preenchem necessidades da alma; com sentimentos que proporcionam prazer ou preocupação temporários, mas que não produzem certezas eternas.
Crise e paz nem sempre são sinônimos de ausência e presença de Deus, respectivamente. Dependendo da nossa atitude, um período de crise pode ser extremamente enriquecedor, quando vivido com uma fé inabalável no Senhor dos tempos e das estações. Deus não nos criou para uma vida sem problemas, mas Ele prometeu que cuidaria de nós. E nas promessas dEle podemos crer sem duvidar, pois “Deus não é homem para mentir e nem filho de homem para se arrepender” (Nm. 23:19 a).
A paz de Deus não é bonança maquiada de prosperidade nem ausência de dificuldades, mas é aquela que excede o entendimento humano, ou seja, vivenciada quando a lógica humana do prazer imediatista não consegue entender.
Ao iniciarmos mais um ano, não sei como está o seu nível de esperança, mas seja qual for seu estado, faça uma análise do que tem preenchido seus pensamentos ultimamente. Nossa mente é como o disco rígido de um computador: precisa estar em constante verificação e limpeza. Caso contrário, ela se torna lenta e incapaz de "rodar" programas mais pesados e importantes, como compromisso verdadeiro com Deus e amor real e concreto – e não apenas politicamente correto – ao próximo. É preciso deletar "arquivos temporários" para que o que é permanente possa ter seu desempenho otimizado.
Mesmo que o dia esteja triste e as manchetes dos jornais desanimadoras, sempre poderemos nos alegrar com algo que não muda nunca: a fidelidade e a graça de Deus para com os Seus filhos. O pensamento nessa certeza sempre nos trará a verdadeira esperança que transforma pranto em riso e desânimo em forças renovadas! Pois “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Co. 15:19).
Um abraço e um ano cheio da esperança e da graça do Senhor!

(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de janeiro/2009)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pão Com Geléia

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra." (II Coríntios 9:7-8)

“A professora perguntou aos alunos qual o significado da palavra ternura. Um garoto levantou-se e disse: "Bem, se eu estivesse com fome e alguém me desse um pedaço de pão, isso seria bondade. Mas se passasse geléia no pão, isso seria ternura..."
Assim começava um texto que li há algum tempo sobre a diferença que há entre fazer o necessário e o ir além dele. A geléia, no contexto acima, simboliza o que chamamos de amor incondicional; aquele que Deus tem por nós e que deseja que experimentemos e vivenciemos em nossos relacionamentos de quaisquer níveis.
Realmente... o amor transforma o corriqueiro em algo especial. Quantas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia (e que já nem prestamos atenção que as estamos fazendo) poderiam ter outro aspecto se acrescentássemos amor.
Muitas vezes, achamos que cumprir com a nossa obrigação é o bastante, mas se passamos uma "geléia", o comum torna-se algo mais agradável, menos árido e menos impessoal.
Como um olhar afetuoso ou alguns gestos de carinho sincero tornam o "bom-dia-aguado" em incentivo e chave para que o dia seja maravilhoso... Como um ambiente cuidadosa mas monotonamente limpo ilumina-se com a presença de flores (mesmo que sejam as do campo e não tulipas exuberantes)... Como um cartão contendo sentimentos que vêm do fundo do coração dá calor e vida a um presente impecavelmente embrulhado, mas impessoalmente oferecido... Como tantas coisas que fazemos poderiam ser transformadas em pequenos raios de sol, se acrescentássemos ternura ao necessário – mas frio e calculado – senso de responsabilidade...
E não é preciso muito tempo, dinheiro ou inteligência incomum para que o comum se transforme em extraordinário. Basta exercitar o amor. Não o nosso: humano, cheio de preconceitos e falhas; mas o de Deus: pelo qual clamamos para que sempre seja derramado sobre nós. E se Deus derrama amor abundante sobre nossas vidas é porque Ele não apenas nos ama, mas quer que esse amor atinja outros através dos nossos atos e palavras.
Não importa se as nossas experiências e oportunidades são diferentes das dos demais à nossa volta. Se não houver amor para compartilhar, o frio que se instaura dentro do coração vai extinguir qualquer tipo de vida, por mais bem alimentada e abonada que a pessoa seja. É bem verdade que talvez a "falta de vida" não se manifeste pela morte física mas, infelizmente, é possível acordar e dormir todos os dias sem viver de verdade.
O adjetivo que Jesus usou para qualificar o tipo de vida que Ele veio oferecer é "abundante" e esse valor passa também pela qualidade que Deus quer dar à vida das pessoas que estão ao nosso redor. Não foi sem propósito que Jesus disse que o 2º maior mandamento (depois de amar a Deus sobre todas as coisas) é amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Enganamo-nos se achamos que estamos nos beneficiando ao negar uma centelha de amor para aquecer quem está ao nosso lado, guardando o calor todo para nós. Além de nos omitirmos, deixamos explícita a falta de amor que temos por nós mesmos e por Deus, dentro do projeto dEle para a vida dos Seus filhos.
Ao escrever este texto, lembrei-me de um e-mail enviado por um amigo querido, observando que a maioria dos textos que recebe ou das mensagens que ouve relacionam-se com o que nós "devemos" ou "não devemos" fazer, mas muito pouco sobre "como" deveríamos fazer. Concordo em parte com ele. Porém, a vida não é uma receita de bolo que possamos seguir à risca para conseguir um resultado esperado.
Continuando com a ilustração do bolo, arrisco-me no terreno "culinário" (que não é o meu forte) para dizer que imagino a conduta de cada um de nós como uma receita que deve ter uma "massa básica" (a fé em Deus, a perseverança nos Seus princípios e valores e a busca de Sua vontade) à qual são adicionados ingredientes variados. Podemos atingir os mesmos resultados através de vivências e situações diversas.
Somos seres pensantes, criativos e, por isso mesmo, com diferentes experiências. Cabe a nós identificarmos os ingredientes que estão à nossa mão e os disponibilizarmos nas mãos de Deus, gerando ações práticas e transformadoras de vidas. Um e-mail, um artigo, um sermão, uma conversa podem despertar sentimentos, mas jamais se transformarão em ações objetivas se não houver a iniciativa da pessoa que foi atingida por eles.
Sejamos agentes da vida através do calor do amor desinteressado em recompensas visíveis e compromissado com a construção (invisível, mas real) de uma realidade mais fraterna e menos corrompida e egoísta. Como? Cada um saberá a resposta se a reflexão for além da lágrima que costuma rolar quando algo nos emociona.
Um abraço e um mês abençoado pelo Senhor e cheio de pães com geléia e de atos de amor... transformadores!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de outubro/2008)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Voto Não Tem Preço; Tem Conseqüências

Não. Este não é mais um texto político-partidário dos muitos que, como eu, você deve ter recebido durante esse período pré-eleições municipais.
Não venho pedir voto nem expor meus temores eleitorais. Mas gostaria de propor uma reflexão. Uma reflexão isenta de cor partidária, embora cada um possa ter suas preferências. Aliás, essa é uma das maiores prerrogativas de uma democracia.
A reflexão que venho propor é a de uma avaliação pessoal, como cristão, diante da importante decisão que se aproxima no nosso país.
Tenho visto muitos discursos enfáticos e apaixonados, defendendo candidatos, ideologias, linhas políticas. Mas poucas ou - no máximo - tímidas mensagens abordando a urgência de uma real busca de discernimento vindo de Deus e não procedente de análises de manuais ou programas partidários.
Pensando em contribuir para essa reflexão, encaminho abaixo um texto do pr. Josué Salgado, de setembro de 2002 (publicado, à época, uma semana antes do 1º turno das eleições estaduais e presidencial), mas que continua valendo para agora e como postura contínua de cidadãos transformados pela salvação que há em Cristo e que entendem a necessidade de amar a Pátria de uma maneira mais objetiva e menos demagógica.
Orar pelo seu país, pelo seu estado e pela sua cidade não é atitude piegas ou desconectada dos deveres de um cristão; antes, é uma atitude de amor e, acima de tudo, de obediência. Se queremos paz para o nosso país, devemos orar por isso. Mas orar por esses motivos implica agir também; participar; sair do saleiro; iluminar fora da igreja; polemizar menos e buscar mais o equilíbrio; ser promotor da paz e não participante de uma turba que prega discórdia e revanchismo.
Se nunca pensou nisso ou orou sobre essas coisas, o convite está feito. Não faça do seu voto uma decisão particular, baseada em experiências pessoais ou em suposições alardeadas na mídia ou em conversas na esquina. Como diz o título do texto abaixo, "voto tem conseqüências". Compartilhe esse momento com Deus e peça orientação e discernimento a Ele. Coloque-se como instrumento para cumprir a vontade de Deus também nessa área. Jesus quer ser Senhor de toda a sua vida, inclusive dos seus atos políticos.


"Voto não tem preço;tem conseqüências" (*)
Pr. Josué Mello Salgado

Consta que o presidente norte-americano Richard Nixon afirmou que a "maioria silenciosa" estava a favor dos bombardeios e da matança de populações civis na guerra do Vietnã. A multidão silenciosa era composta por aqueles que preferiam alijar-se do processo decisório, para não se comprometerem. Quando somos indiferentes à nossa responsabilidade, na participação política, podemos com o voto branco ou nulo ajudar a que o mal seja perpetuado e verdadeiras atrocidades sejam praticadas em nosso nome. A nossa participação será usada ou manipulada.
A Bíblia nos alerta sobre a omissão, chamando-a de pecado: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado" (Tiago 4:17). Com isso está desautorizada biblicamente a omissão política!
Como povo de Deus somos, entretanto, não apenas chamados à participação, mas também à participação de qualidade. Por isso que devemos votar, mas votar com consciência. O voto do cristão há que ser o voto ético pautado na ética do voto!
Se "política é a conjugação das ações de indivíduos e grupos humanos, dirigindo-as a um fim comum", então devemos entender que o nosso voto não deve visar resolver problemas ou atender interesses individuais, à parte dos interesses e necessidades dos demais integrantes da sociedade. Votar em um candidato porque resolve o meu problema pessoal, embora seja ele um político que não atenda às necessidades do bem comum, é demonstrar não compreender ainda o sentido de política, como se referindo à vida na polis, ou seja, à vida em comum.
Por outro lado não merece o nosso voto, candidato que demonstre também não compreender esse sentido basilar da política como voltada ao bem comum. Não podemos propiciar com o nosso voto (ou a falta dele), ocasião para que os maus políticos se perpetuem no poder. Não merece o nosso voto quem usa da mentira, da improbidade, da corrupção e do desrespeito aos mais fundamentais direitos da pessoa humana na prática de mandato público.
O nosso voto não tem preço; mas certamente tem profundas conseqüências para a nossa vida pessoal e, sobretudo, da sociedade em que vivemos e que desejamos deixar de herança para as gerações futuras.

Pr. Josué Mello Salgado é titular da Igreja Memorial Batista de Brasília
O texto foi publicado no boletim dominical de 29/09/2002
(*) expressão extraída do horário eleitoral gratuito - autor desconhecido

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Hoje É O Tempo Que Temos Para As Pessoas Que Ainda Temos

“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida?
Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.”
(Tiago 4:14)

Há poucos dias, conversando com uma amiga que é fisioterapeuta, ela contou-me uma história recente de uma paciente que a impressionara. Confesso que, ao terminar de ouvir, a mim também.
A paciente – uma jovem dentista – compartilhara com minha amiga uma semana em que o avô daquela, logo na segunda-feira cedo, começara a lhe telefonar perguntando: “Hoje é sexta-feira?”. No início, ainda de bom humor, a jovem corrigia seu avô, um senhor viúvo que morava sozinho.
Foram inúmeras as ligações, durante a semana, tanto para ela quanto para as outras netas, sempre com a mesma pergunta. Com a insistência dos telefonemas, a moça começou a impacientar-se com o avô, pedindo-lhe que não telefonasse tanto, pois as interrupções causavam transtornos no atendimento aos pacientes de seu consultório.
À medida que a semana transcorria, a ansiedade do avô em saber se era sexta-feira aumentava tanto quanto a rispidez com que a neta lhe respondia.
Chegou, finalmente, a esperada sexta-feira! Mas não houve um telefonema sequer... Já não era mais necessário – nem possível – fazê-lo: aquele senhor que aguardara com tanta expectativa aquele dia amanhecera morto, vítima de um ataque cardíaco.
Por alguns segundos, minha mente vagueou por histórias também recentes envolvendo o tempo: a ociosidade dele, a falta dele, o fim dele... Minha amiga contou-me a comoção que tomara conta de sua paciente ao relembrar como fora ríspida naquelas que seriam as últimas conversas com seu avô tão amado.
Não sei quais foram as reações das outras netas em relação aos telefonemas insistentes do avô e quanto à pergunta recorrente, e também não ouso julgar a atitude da que relatou o fato. Apenas refleti no quanto achamos que temos o controle do tempo, sem notarmos o quanto estamos sujeitos a ele e aos seus “auxiliares”.
Há pessoas que nada fazem sem marcar hora na agenda. Até demonstrações de afeto têm que estar atreladas ao limitado tic-tac do relógio.
É certo que o planejamento é necessário, ainda mais no caos informático que vivemos atualmente. Mas amor não se planeja, vive-se! E vive-se hoje, agora, espontaneamente! O depois ainda não existe e o amanhã pode não chegar.
Fale com carinho hoje. Faça uma visita hoje. Diga “eu te amo” hoje. Mande flores hoje. Abrace apertado hoje. Peça perdão hoje. Perdoe hoje. Invista hoje nos relacionamentos significativos da sua vida.
O tempo passa. É só uma questão de tempo... Não deixemos que ele passe sem que marcas de amor sejam sempre deixadas. E tanto quanto possível, as últimas deixadas.
Um abraço e um tempo de vida abençoado na presença do Único que é sempre presente!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de setembro/2008)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Quem Pintou Os Passarinhos?


Conheço uma moça que sempre tem uma história interessante sobre sua filha, hoje com 7 anos. Essa, eu ouvi recentemente, constatando que realmente só um coração de criança é capaz de aceitar prontamente os mistérios de Deus sem procurar encaixá-los em fórmulas físicas ou tratados filosóficos.
Aos cinco anos, a garotinha, encantada com a profusão de cores que cobriam o corpo dos pássaros que ela via ao brincar, perguntou à mãe: “Mamãe, quem pintou os passarinhos?”. Achando graça na pergunta inocente, mas que com tanta seriedade fora feita, a mãe afirmou com a certeza de quem preserva a essência do coração de criança: “Foi Deus quem pintou cada um deles, querida”. “Puxa, mamãe... como Deus pinta bem, né?”, respondeu a criança, com sua curiosidade plenamente satisfeita.
A resposta da menininha nos faz rir, pela singeleza, mas me fez chorar, no primeiro momento, ao reconhecer a incredulidade que muitas vezes ainda me assola em momentos de dificuldade, apesar de saber que Deus sempre cuida de mim.
A vida é uma escala de aprendizados e essa foi uma das lições que aprendi nos últimos dias. Espero sempre me lembrar dela quando achar que os dias estão cinzas demais.
São muitos os passarinhos. São muitos os dias. Mas Deus é o criador de tudo e Ele é muito criativo. Sua paleta de cores é sem igual, cheia de nuances, sem as quais os quadros da nossa vida não teriam o mesmo valor.
Ah! E é claro... Ele sempre pinta bem demais!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de março/2008)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Felizes Aqueles Que Sabem Chorar


“Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão” (Salmos 126:5)

Alguns devem ter estranhado o título desta coluna logo em janeiro... Falar em lágrimas, quando todos – ou pelo menos a maioria – têm expectativas de alegrias, sucesso e bem estar no reinício de um novo ano?

Ah! Mas como se enganam os que consideram as lágrimas sinônimo de tristeza, de desânimo, de fraqueza!

Creio que por um tempo eu acreditei nisso também. Houve uma época em que eu não gostava de chorar (embora as pessoas já estivessem acostumadas com as minhas lágrimas). Justamente porque a sociedade canaliza – e banaliza – essa preciosidade que Deus nos deu para o lugar-comum das características de quem é fraco, eu não queria me enxergar assim; principalmente fraca na fé.

Sim. Foi Deus quem criou a lágrima como uma forma de esvaziar da alma as dores e valorizou-a de tal forma que a Bíblia está recheada de exemplos de servos fiéis, consagrados e tementes que choraram diante da presença do Senhor e Ele os ouviu e atendeu, aceitando como oferta aprazível o pranto derramado.

Mas não estou falando de um pranto qualquer, desprovido de motivações genuínas. A diferença de um choro inócuo, vazio, apelativo e de autocomiseração para um pranto de desabafo e que produz uma ceifa alegre (conforme o versículo logo abaixo do título) está na presença de quem choramos. Muitos talvez não entenderão suas lágrimas de dor, de arrependimento, de angústia e talvez até zombarão delas, alocando-as nos canais estreitos de uma personalidade fraca e vulnerável. Mas Deus sempre saberá transformar cada gota saída dos seus olhos em diamantes preciosos, recolhendo-os em um odre especial.

Se o ano não começou tão feliz quanto os votos recebidos e muitas vezes repetidos como algo de praxe pelos que nos cercam, não se intimide diante do choro nem o receba como marca de fraqueza ou indiferença de Deus para com a sua vida.

Também não vá atrás de previsões ou provisões de pessoas, cujas próprias vidas não podem prever ou controlar. Apresente seu pranto diante do Senhor, o Único que pode receber e entender a essência das nossas lágrimas e o significado de cada uma delas: as de intercessão por alguém querido, e que por Ele é mais amado do que por nós; as de dúvidas interiores, cujas respostas só Ele possui; as das dores da alma, cujas feridas Ele cicatriza e sara; as da incompreensão dos outros, em cujo lugar Ele derrama o bálsamo da Sua singular presença.

Para mim, hoje, lágrimas são palavras não ditas, não verbalizadas, mas, em seu pleno significado, por Deus valorizadas. Em um desses momentos de íntima comunhão com o Senhor, escrevi um pequeno desabafo que retrata, na minha experiência, o que significam as lágrimas de alguém cuja confiança está totalmente nas mãos dAquele que tudo sabe, tudo ouve e tudo vê; a quem tudo é possível, mesmo que o impossível seja, no momento, suas lágrimas conter:

“Desaprendi a dizer...
O meu momento é verter
lágrimas... são minhas palavras
tão profusas, tão confusas
que não tento entendê-las.
Espero que ao vertê-las,
não precise das palavras...
de dizê-las!"
“Deus recolhe as minhas lágrimas no odre dEle, pois elas já estavam escritas no Seu Livro”
(cf. Sl. 56:8)

Lágrimas vertidas diante do Senhor são prenúncio de consolo e de renovação de vida! Há promessa nesse sentido empenhada pelo próprio Jesus: “Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará” (Mateus 5:4). Experimente derramar as suas lágrimas na presença do Senhor e, com certeza, não apenas durante 2008, mas em todo o seu viver, você experimentará aquela paz que excede o entendimento dos que racionalizam tudo; a paz que independe de catástrofes internas ou externas, pois é vivida não nos intervalos das circunstâncias da vida, mas na constância do dia-a-dia com Deus, o Criador de tudo o que há.
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de janeiro/2008)

domingo, 18 de março de 2007

Impossíveis?

(Canal do Panamá - na construção e depois de concluído)

Pensando nos meus impossíveis diários e esporádicos, lembrei de um comentário que escrevi sobre uma reflexão de R. Foster, publicada no vida.net (da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitba). Começo com um trecho do referido texto:

“Cruzando o Canal do Panamá, mais uma vez tive consciência de que é um dos grandes feitos da engenharia mundial. Um diplomata francês, Ferdinand de Lesseps, deu início à obra, em 1879, mas um planejamento deficiente, desordem e fraude levaram ao fracasso o empreendimento, após dez anos. O 'milagre' de 50 milhas finalmente foi aberto em 1914, sob a supervisão americana e com milhares de trabalhadores de todo o mundo cantando esta canção: 'Tem algum rio que você acha impossível cruzar? / Algumas montanhas onde não se podem escavar túneis? / Nós somos especialistas em coisas que se imaginam impossíveis / E fazemos o que ninguém mais poderia fazer!'
Não somente improvável, mas também totalmente inimaginável são as 'impossibilidades' da história do nascimento de Jesus, como relatada na Bíblia. (...) O humanismo iria diluir esta história, arrazoar a seu respeito, rir e ridicularizá-la, consignando-a à estante do cristianismo fora de moda. Religiosos, filósofos e pessoas no meio profissional surgem com a mesma velha frase: 'Me recuso a acreditar no que não posso ver'. Porém, um anjo disse à Maria: 'Porque para Deus nada é impossível' (Lucas 1.37).
Pense sobre isto: 'Quando Deus quer fazer algo maravilhoso, Ele começa com uma dificuldade; quando Ele vai fazer algo muito maravilhoso, Ele começa com uma impossibilidade' (Charles Inwood).”

Em 2001, estive no Panamá, cobrindo um evento da OnG Samaritan’s Purse, e pude ver de perto um trecho do famoso Canal, mais especificamente a Esclusa de Miraflores. Assistindo ao filme demonstrativo da construção e atividade da impressionante obra, entendi que é realmente espantoso o trabalho de determinação com que ele foi feito.
Há impossíveis humanamente possíveis com trabalho, garra e planejamento. Mas há os impossíveis humanamente impossíveis independente da determinação que se tenha. Esses só são possíveis quando o céu determina a possibilidade... Mas é preciso acreditar no milagre e crer que Deus tudo pode. Enxergar o milagre, requer mais do que olhos humanos; é necessário olhar com fé. Foi isso que faltou a muitos que conviveram com Jesus, mas não enxergaram o maior milagre de todos os tempos.

Quer ver milagres? Não viva sob uma ótica que enxerga barreiras e dificuldades; procure andar na dimensão que Deus quer que cada um de nós vivamos. Ele deseja nos surpreender a cada dia! Situações aparentemente impossíveis podem ser resolvidas com a facilidade de "um milagre". Aliás, milagre só é milagre para nós, não para Deus; Ele é especialista nessa matéria! E não há áreas específicas para Deus agir. Há, sim, pessoas disponíveis e que querem ser surpreendidas por Ele. Você quer?

Um abraço e um mês abençoado
(e surpreendente) na presença do Senhor!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de março/2007)

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Tempo x Prioridades


Não. O problema nunca é (falta de) tempo. O problema é (falta de) prioridade...

Prioridades...
Se não as tens - de verdade -,
perdes tempo e o tempo consome tua realidade!
E o que falar do tempo?
Palavra quase abstrata que a todos destrata
se a desordem retrata.
Não percas o tempo do pouco que tens
com coisas pequenas que te deixam aquém
daquilo que és e do que podes ser;
daquilo que Deus quer fazer-te viver.
Não vale a pena gastar tua pena - escrita ou sentida –
com areia apenas na praia da vida.
A onda do mar um dia desmancha
e sequer deixa a mancha para se copiar...
Nas manhãs dos teus dias,
busca sempre a harmonia
no contato primeiro com o único Deus;
e, depois, com os teus, busca tempo ficar.
Senta um pouco e conversa: isso, sim, é amar.
E do tempo passado com o essencial,
nascerá tempo certo para o resto, afinal.
Nada perdes se o dia tiver o roteiro
que a ti pertencia desde teu dia primeiro.
Teu viver não é fruto de um acaso humano;
tens a rota traçada pelo Deus soberano.
E é dEle - não teu - o perfeito e melhor plano.
Mas se um dia errares, no compasso da lida,
os passos corretos de andar pela vida,
pára um pouco... respira e ajusta a lente.
Busca o céu com palavras ou com os olhos somente.
Com certeza, de lá te virá o alento
e as respostas para as dúvidas de cada momento.
E ainda que outras coisas insistam
em tirar de Deus tua atenção,
em fazer-te andar sempre na contra-mão,
se quiseres, tu podes - enquanto viver –
dar a volta na estrada e mudar o teu ser.
Mexe nas prioridades
e organiza teu tempo de outra maneira.
Ao fazê-lo, é provável, que alguns sonhos se percam...
Mas se é pra viveres a essência verdadeira,
vai em frente - não voltes -, deixa baixar a poeira.
Deus vai dar-te outros sonhos - os que valem a pena.
O que passou? Esquece... O que passou era areia.
(Nane - 08/06/2006)
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de julho/2006)