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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Silêncio É Semente

Eu procuro uma canção
dentro de mim,
Mas nada vem. Estou mudo.
Este silêncio é cortante, pontudo;
Dele nascerá um jardim.

Desta semente silenciosa
Brotarão botões de rosa
Pousarão mil borboletas
Pretas, azuis, violetas.

Neste canteiro, um girassol,
Ervas de cheiro, um pôr de sol;
O mundo inteiro
Pára pra ouvir o rouxinol
Cantar certeiro
Em sustenido e bemol.

(Silvestre Kuhlmann)


Que delícia de poema do meu amigo Sil. Junto com a Gláu, ele é um dos poetas-compositores mais inspirados que tenho lido nos últimos anos. Quando não sei o que dizer, eles já disseram por mim :-)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Blogagem Coletiva - Hoje É Dia De Cecília

O desenho acima é um auto-retrato de uma das mais amadas poetisas brasileiras.

Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de Matilde Benevides Meireles, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Muito cedo, conviveu de perto com a morte: o pai faleceu três meses antes do seu nascimento e a mãe, quando a menina Cecília ainda não tinha três anos. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. Um dia, Cecília escreveu que tais acontecimentos lhe trouxeram "uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno".

Conhecida como a "poetisa da alma", Cecília Meireles faleceu em 9 de novembro de 1964.

A seguir, um dos inúmeros poemas dela que amo:


4º Motivo da Rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:

também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,

mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Rosa Amarela

De todas as belas flores
Certamente é a mais singela
E aquela luz que é só dela
Ilumina os meus amores
Como a chama de uma vela
Que em meu peito dança
E minh’alma de criança
Traz no peito a esperança
Nas mãos, a rosa amarela!

* Às vezes, o azul dá lugar a outras cores...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Flores!

Flores. Muitas flores!
Quero-as todas. De todas as cores.
Das nobres às plebéias
Rosas, lírios, azaléias!
E as que quero mais, um buquê amplo,
São as que prefiro: as do campo...
As silvestres, as campestres
As que crescem em ciprestes.
O que importa se há espinhos,
Pétalas, às vezes, em desalinho?
Nada disso tira o encanto
De ter flores por todos os cantos.
Quero-as perto dos meus olhos
Em profusão, aos molhos,
Enfeitando e perfumando a vida,
Que de flores vem desprovida
Desde que inventaram a moda
Que as de plástico são mais duráveis,
Mais perfeitas, até laváveis,
E que enfeitam por mais tempo, com cor,
A vida dos que há tempos não cheiram uma flor.
Não. Não quero flor de plástico;
De perfil perfeito, mas sem viço, estático.
Quero as vivas e enquanto eu viva for.
Não as quero quando eu não mais aqui estiver.
Quando eu morrer, não quero nem uma flor,
Nenhuma sequer...
Dêem-me flores agora, enquanto eu as puder cheirar,
Seus encantos perceber e sua beleza apreciar.
Depois... Bem, depois... continuem mandando flores
Para outra menina qualquer
Que tenha por elas os mesmos amores
Que tive, tenho e terei enquanto vida eu tiver.

(Nane - 29/03/2007)