segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pão Com Geléia

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra." (II Coríntios 9:7-8)

“A professora perguntou aos alunos qual o significado da palavra ternura. Um garoto levantou-se e disse: "Bem, se eu estivesse com fome e alguém me desse um pedaço de pão, isso seria bondade. Mas se passasse geléia no pão, isso seria ternura..."
Assim começava um texto que li há algum tempo sobre a diferença que há entre fazer o necessário e o ir além dele. A geléia, no contexto acima, simboliza o que chamamos de amor incondicional; aquele que Deus tem por nós e que deseja que experimentemos e vivenciemos em nossos relacionamentos de quaisquer níveis.
Realmente... o amor transforma o corriqueiro em algo especial. Quantas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia (e que já nem prestamos atenção que as estamos fazendo) poderiam ter outro aspecto se acrescentássemos amor.
Muitas vezes, achamos que cumprir com a nossa obrigação é o bastante, mas se passamos uma "geléia", o comum torna-se algo mais agradável, menos árido e menos impessoal.
Como um olhar afetuoso ou alguns gestos de carinho sincero tornam o "bom-dia-aguado" em incentivo e chave para que o dia seja maravilhoso... Como um ambiente cuidadosa mas monotonamente limpo ilumina-se com a presença de flores (mesmo que sejam as do campo e não tulipas exuberantes)... Como um cartão contendo sentimentos que vêm do fundo do coração dá calor e vida a um presente impecavelmente embrulhado, mas impessoalmente oferecido... Como tantas coisas que fazemos poderiam ser transformadas em pequenos raios de sol, se acrescentássemos ternura ao necessário – mas frio e calculado – senso de responsabilidade...
E não é preciso muito tempo, dinheiro ou inteligência incomum para que o comum se transforme em extraordinário. Basta exercitar o amor. Não o nosso: humano, cheio de preconceitos e falhas; mas o de Deus: pelo qual clamamos para que sempre seja derramado sobre nós. E se Deus derrama amor abundante sobre nossas vidas é porque Ele não apenas nos ama, mas quer que esse amor atinja outros através dos nossos atos e palavras.
Não importa se as nossas experiências e oportunidades são diferentes das dos demais à nossa volta. Se não houver amor para compartilhar, o frio que se instaura dentro do coração vai extinguir qualquer tipo de vida, por mais bem alimentada e abonada que a pessoa seja. É bem verdade que talvez a "falta de vida" não se manifeste pela morte física mas, infelizmente, é possível acordar e dormir todos os dias sem viver de verdade.
O adjetivo que Jesus usou para qualificar o tipo de vida que Ele veio oferecer é "abundante" e esse valor passa também pela qualidade que Deus quer dar à vida das pessoas que estão ao nosso redor. Não foi sem propósito que Jesus disse que o 2º maior mandamento (depois de amar a Deus sobre todas as coisas) é amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Enganamo-nos se achamos que estamos nos beneficiando ao negar uma centelha de amor para aquecer quem está ao nosso lado, guardando o calor todo para nós. Além de nos omitirmos, deixamos explícita a falta de amor que temos por nós mesmos e por Deus, dentro do projeto dEle para a vida dos Seus filhos.
Ao escrever este texto, lembrei-me de um e-mail enviado por um amigo querido, observando que a maioria dos textos que recebe ou das mensagens que ouve relacionam-se com o que nós "devemos" ou "não devemos" fazer, mas muito pouco sobre "como" deveríamos fazer. Concordo em parte com ele. Porém, a vida não é uma receita de bolo que possamos seguir à risca para conseguir um resultado esperado.
Continuando com a ilustração do bolo, arrisco-me no terreno "culinário" (que não é o meu forte) para dizer que imagino a conduta de cada um de nós como uma receita que deve ter uma "massa básica" (a fé em Deus, a perseverança nos Seus princípios e valores e a busca de Sua vontade) à qual são adicionados ingredientes variados. Podemos atingir os mesmos resultados através de vivências e situações diversas.
Somos seres pensantes, criativos e, por isso mesmo, com diferentes experiências. Cabe a nós identificarmos os ingredientes que estão à nossa mão e os disponibilizarmos nas mãos de Deus, gerando ações práticas e transformadoras de vidas. Um e-mail, um artigo, um sermão, uma conversa podem despertar sentimentos, mas jamais se transformarão em ações objetivas se não houver a iniciativa da pessoa que foi atingida por eles.
Sejamos agentes da vida através do calor do amor desinteressado em recompensas visíveis e compromissado com a construção (invisível, mas real) de uma realidade mais fraterna e menos corrompida e egoísta. Como? Cada um saberá a resposta se a reflexão for além da lágrima que costuma rolar quando algo nos emociona.
Um abraço e um mês abençoado pelo Senhor e cheio de pães com geléia e de atos de amor... transformadores!
(Publicado na coluna Da Redação para o Leitor,
no Jornal Carta Aberta, edição de outubro/2008)

5 comentários:

Cristina Corrêa disse...

Que lindo!
Adorei o texto,apesar de nem sempre usarmos geléia no pão,e ainda tem gente q usa manteiga sem sal...hehehe

:p


Tiamuti

Sammis Reachers disse...

Gostei, Nane! E gostei também da grande atualização que você fez no blog, com novos e belos textos.

Valeu pela visita; além de Cristo, o azul nos une poderosamente.

Deus lhe abençoe!

Priscilla disse...

Pode ter certeza de que o nosso blog é mais um "pão com geléia" que o Senhor tem preparado pra os que Ele já tem separado.

"E se Deus derrama amor abundante sobre nossas vidas é porque Ele não apenas nos ama, mas quer que esse amor atinja outros através dos nossos atos e palavras."

Parabéns pelas palavras. Já está linkada em meu blog, e pode ter certeza de que ganhou mais uma leitora.

Deus nos abençoe diariamente com sua Graça.
;)

Luzia disse...

Admiro a familia Sylvestre pois além de passar a geléia sempre oferece um copo de suco Del Valle de pêssego...mais que ternura ..amor incondicional pelas vidas..beijos e saudades..Luzinha

Nane disse...

Crixxxzzz, minha mana... manteiga sem sal nem pensar, né?? :P

Sammis, muito bom te ver de novo por aqui!

Priscilla, que possamos sempre ser pão com geléia nesse mundo tão carente do Pão da Vida, né?

Luzinha, saudade da época em que você tomava suco Del Valle de pêssego aqui em casa. Qualquer dia vou tomar um chazinho aí na Noruega, tá? ;-)