segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Como Dói A Dor Da Saudade...



Queria ter vindo aqui no dia 1º, ainda na euforia dos fogos de artifício e embalada pelos abraços que sempre acompanham o nascer de um novo ano.

Mas não deu para vir antes de hoje e, por isso, as palavras de agora não são de Feliz 2008 (ainda que seja esse o meu desejo para todos que estejam lendo) e nem meu abraço é do tipo efusivo...

Ontem e hoje estou vivendo um sentimento bíblico, lindamente expresso numa pequena canção do grupo Vencedores Por Cristo, cuja letra diz o seguinte: "Ame ao Senhor com todo o seu coração; com toda a força e razão; com todo o seu desejar. Ame ao seu próximo como se fosse você; como se a dor que ele sente fosse a que sente você... Ame ao seu próximo como se fosse você; como se a dor que ele sente doesse mais em você".

Ontem fez 1 ano que faleceu o pai de uma amiga mais chegada que irmã. Hoje, também faz 1 ano que Deus chamou para Si o filhinho de outra querida amiga do coração. Crixxxzzz e Ruby são os nomes das minhas manas mais que amadas. Adenyr e Matheus (o querido Tetheus), os nomes dos amados que partiram.

O que falar em momentos como este? Acho que todos nós nos perguntamos quando enfrentamos esse tipo de ocasião. Mas não há palavras realmente. Esqueça-as. Elas não confortam, não trazem de volta, não apagam da memória as noites mal-dormidas e o sofrimento no rosto de quem se ama.

O conforto para esta e tantas outras situações que dóem n'alma vem apenas dAquele, cuja mente perfeita preparou este momento - não tão oportuno para a nossa mente limitada - e cujas mãos são as únicas que têm o afago certo para as horas incertas.

Pensando nisso e lembrando de momentos semelhantes (nunca iguais... pois cada um é único), encontrei palavras. Não... na verdade, elas me encontraram! No meio do deserto das letras, Deus inspirou meu desabafo. Sim... não são palavras para consolar; apenas para ratificar que elas não existem e que o consolo está em ter fé nAquele que existe desde sempre e que de nós não desiste, mesmo quando a dor parece grande demais para crer nessa Verdade:

"Ô dor que dói... essa dor da saudade!
Dor que aperta, que maltrata
e que só se acerta quando Deus mesmo trata...
Quando o coração moído, dilacerado,
é por Jesus reconstruído, com amor e cuidado...
Quando a lágrima insiste em voltar a ser pranto
e encontra seu porto no Espírito Santo...
Ô dor que dói... essa dor da saudade!
É dor que não passa... parece que aumenta!
E quem diz que o tempo é remédio
não sabe que é do tempo que essa dor se alimenta.
Mas, ah... como é bom ter a paz que ninguém entende,
mas que se sente mesmo na dor da saudade,
quando se tem comunhão plena com a divina Trindade!"
(Nane - 07/01/08)

*Na foto, Matheus e Ruby. Para mim, um quadro dos mais belos. Amo vê-los olhando o horizonte, admirando o céu, onde Tetheus e tio Adenyr (pai da Cristininha) apenas chegaram antes... A propósito, você tem essa mesma certeza de que está caminhando para lá?

5 comentários:

henrique disse...

oi Nane, sou tio do Matheus. vc tem alma, fala, pena e amor de poeta. absurdamente sublime o que escreveu sobre a dor da saudade. obrigado pelo conforto das palavras. elas nos tocam com a suavidade de um carinho do Pai.

rubenita disse...

oi nane... sou a mãe do matheus!! (parafraseando o "coment" do henrique, meu cunhado, casado com a irmã do pastor getulio! rsrsr)...

achei que seria fácil passar esses dois dias 7 e 8 de janeiro, mas não foi. a lembrança da ligação do hospital a lembrança do corpo do meu filho no caixão a lembrança do mesmo sendo lacrado no cemitério quase me deixaram "sem ar"... mesmo eu tendo a companhia constante de uma familia querida que decidiu ficar conosco prá nos aliviar a dor das lembranças... mesmo recebendo e-mails com palavras de tanta edificação como foi a de uma ovelha querida priscila... não me culpo! sou mãe! serei até o final dos meus dias aqui uma mãe enlutada...

suas palavras de profunda empatia e sensibilidade com a minha dor é algo inexplicável...

obrigada, confortou-me bastante voltar aqui depois dos meus dois dias de choro... de saudade eterna!

amo-te!

Simone Nascimento disse...

"E quem diz que o tempo é remédio
não sabe que é do tempo que essa dor se alimenta."

Oi Nane,
Não sei se vc tbm é mãe, mas quero só dizer que para nós, pais, o tempo é sempre presente, às vezes o futuro bate em nossa porta nos preocupando, mas o presente é constante e o filho é sempre filho, e pequeno, dependente, sempre, sempre, para nós eles nunca crescem, ainda que queiram parecer independentes não o são pra nós...e eles nuncam deixam de existir mesmo que não estejam mais com a gente...é perfeito o que disse sobre o tempo, "é dele que nossa dor se alimenta", pq o tempo é sempre presente e não conseguimos esquecer nem um instante...
O seu texto e poema me emocionou muito, como é bom pertencer ao corpo de Cristo, pois sentimos todos a mesma dor, a mesma saudade e a mesma alegria.
Beijo em seu coração.

Ruby, mãe sempre no presente e não há outro tempo...Beijo.

Jacqueline disse...

Muito lindo! linda homenagem!
Hj ao ler a bíblia pela manhã em II cor. 7:6
"Mas Deus que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito."

Agora parafraseando: Mas Deus que consola os abatidos nos consolou com as palavras da Nane!

Deus te abençoe e continue usando tua vida para a Glória Dele!!
Jackie

Pavarini disse...

Nane querida,

Hj estava trocando msgs c/ uma amiga digital e leitora. No meio do papo, descobri que ela é sua amiga "de verdade".

Muuuito obrigado pela sensibilidade do texto. Como escreveu Henri Nouwen, "ferimentos e dores tornam-se passagens para uma nova visão; nossas feridas nos tornam fonte de vida p/ o outro".

Bjos

PS.: Muuuito obrigado pelo link p/ o PavaBlog! =]